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Compromisso no CLARITY Act destrava rali de ETFs e leva BTC ao topo dos US$ 82 mil antes de correção

Compromisso no CLARITY Act destrava rali de ETFs e leva BTC ao topo dos US$ 82 mil antes de correção

A semana de 2 a 9 de maio foi dominada pelo destravamento parcial da agenda regulatória americana. No domingo (4), os senadores Thom Tillis (R-NC) e Angela Alsobrooks (D-MD) anunciaram um compromisso sobre o trecho mais sensível do CLARITY Act — a permissão para emissores de stablecoin oferecerem recompensas a usuários — abrindo caminho para uma marcação no Senate Banking ainda neste mês. O mercado leu como aceleração: a Circle subiu 19,9% no pregão, a Coinbase 6,1%, e o Bitcoin emendou cinco sessões consecutivas de entradas líquidas em ETFs spot, registrando o primeiro acumulado semanal acima de US$ 1 bilhão desde janeiro.

O contraponto veio do book de risco. April fechou como o pior mês da história em segurança cripto — US$ 651 milhões drenados em 30 incidentes, segundo a DefiLlama — e a primeira semana de maio foi gasta digerindo a fatura, com o ataque ao Wasabi Protocol confirmado em 30 de abril e atribuição parcial de mais um cluster de exploits a operadores ligados à Coreia do Norte. O contraste entre o avanço institucional e a fragilidade técnica do DeFi é o tema que define a semana.

O BTC operou entre US$ 76.960 e US$ 82.000 antes de devolver ganhos e voltar à faixa dos US$ 79 mil na sexta. Para a tese de longo prazo, importa menos o range da semana e mais o que Tom Lee, da Fundstrat, articulou como gatilho técnico: um fechamento de maio acima de US$ 76 mil consolida o terceiro mês positivo seguido e, na leitura dele, encerra formalmente o crypto winter.

Top 5 stories

1. CLARITY Act: compromisso sobre yield em stablecoin destrava agenda no Senado
O texto revisado mantém a vedação a "juros sobre depósito passivo" — preservando o oligopólio bancário sobre captação remunerada — mas autoriza recompensas atreladas a uso (trading, transações, staking). É um meio-termo politicamente desenhado para neutralizar a oposição da ABA sem matar o modelo de cashback de USDC e PYUSD. O senador Bernie Moreno (R-OH) reiterou o ultimato de fim de maio, e Brian Armstrong publicou apenas "Mark it up" no X. Para investidores, a leitura prática: se o markup sair antes do recesso, há janela realista para sanção presidencial no verão americano. Leia na CoinDesk.

2. ETFs de Bitcoin emendam a melhor semana desde janeiro
Os ETFs spot americanos somaram aproximadamente US$ 1,69 bilhão em entradas líquidas em cinco sessões consecutivas, com o IBIT, da BlackRock, capturando cerca de US$ 721,5 milhões em três pregões — incluindo um único dia de US$ 335,46 milhões em 4 de maio. O ritmo retoma o patamar de abril, quando o produto sozinho concentrou US$ 1,71 bilhão dos US$ 2,44 bilhões captados pela categoria. O dado relevante não é o volume bruto, e sim a participação do IBIT, que segue acima de 70% e amplia a distância para os concorrentes. Membros MegaW Pro receberam o sizing da posição na quarta — veja como funciona. Leia na The Market Periodical.

3. BTC testa US$ 82 mil, recua e cria o sinal técnico que Tom Lee monitora
O Bitcoin abriu a semana próximo de US$ 76.960, perfurou os US$ 82 mil em 6 de maio e fechou a sexta em torno de US$ 79.340. Funding rates saíram do território negativo e estabilizaram em neutro, sinal de que o short-squeeze responsável pelo movimento já se exauriu. O argumento de Lee é simples e quantificável: três meses positivos consecutivos, com fechamento de maio acima de US$ 76 mil, historicamente mapeiam para retomada de bull market. O cenário-base assume continuidade dos fluxos de ETF; o cenário-risco é uma realização entre US$ 73 mil e US$ 75 mil caso o Senate Banking adie a marcação. Leia na CoinDesk.

4. April fecha como o pior mês de exploits da história — US$ 651 milhões em 30 ataques
O número consolidado pela DefiLlama supera todos os meses anteriores e foi puxado por dois eventos: o hack de US$ 285 milhões na Drift Protocol (1º de abril, via comprometimento de admin key e manipulação de oráculo) e o exploit de US$ 293,7 milhões no contrato de bridge da KelpDAO sobre o rsETH. A Wasabi Protocol foi drenada em US$ 4,55 milhões em 30 de abril pelo mesmo vetor da Drift — comprometimento de chave de deployer. A TRM Labs estima que operadores ligados à RPDC respondem por 76% das perdas do ano. O padrão é claro: os ataques sofisticados de 2026 não exploram bugs em Solidity — exploram processos de gestão de chaves. Reforço involuntário do argumento self-custody. Leia no Cryptopotato.

5. ETFs de ETH com staking: cinco emissores aguardam aprovação para Q2
Após o ETHB, da BlackRock, ir ao ar em 12 de março com US$ 107 milhões em seed e cerca de 80% do ETH já em staking on-chain, Fidelity, Franklin Templeton, Invesco, 21Shares e VanEck têm emendas pendentes que devem ser aprovadas até o fim de junho, segundo cronograma da SEC. O yield bruto de staking do Ethereum opera entre 3,1% e 3,3% ao ano. A consequência estrutural — pouco discutida — é que essa camada de demanda institucional cria um piso de retirada de oferta circulante de ETH que não existia em 2024-2025, e que se acumula independente do preço. Leia na CoinDesk.

Charts to watch

Closing thought

A semana cristalizou o tema central do ciclo: os ativos avançam pelo lado institucional — ETFs, market structure bill, staking regulado — enquanto a infraestrutura DeFi continua entregando recordes pela razão errada. US$ 651 milhões drenados em abril não é um problema de Solidity; é um problema de processos operacionais que a indústria tratou como detalhe por uma década. O paradoxo é que justamente o avanço regulatório — que muitos no espaço veem com desconfiança — tende a criar pressão por padrões mínimos de custódia e governança que o setor não conseguiu se autoimpor. Para o investidor de longo prazo, a leitura é direta: a tese permanece intacta, mas o prêmio por exposição auto-custodiada e por protocolos com track record de gestão de chaves só aumenta.

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